em que esquina te escondes
que ruas, que pedras pisas...
em que café te encontras
mergulhado no jornal de ontem...
em que palavras te prendes
que imagens, que paisagens...
em que ruela te abrigas
dos monstros, das criaturas...
em que segredos te detens
que canção, que sensação...
em que janela espreitas
as pessoas, as ruas...
em que beijos...
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
01:11...
quando é que sabemos que voltamos a casa?
não o apartamento ou vivenda ou outro imóvel onde vivemos... a casa... a nossa casa...
quando é que sabemos que estamos em casa?
o cheiro, o som, o calor, a ternura...
vagamos por aí, esquinas, ruas, cafés... vagamos por aí sem nos darmos conta...
quando é que sabemos que temos uma casa?
saímos à rua, de chapéu de chuva no braço, olhamos o céu ainda escuro, prometendo chuva,
entramos no café do costume, pedimos o mesmo de sempre...
ficamos à espera do autocarro, numa paragem apinhada de gente. começou a chover...
ainda fumamos um cigarro, o sino da igreja bate as oito horas da manhã...
respiro fundo. fecho os olhos...
hoje cheguei finalmente à minha casa...
(lisboa...)
não o apartamento ou vivenda ou outro imóvel onde vivemos... a casa... a nossa casa...
quando é que sabemos que estamos em casa?
o cheiro, o som, o calor, a ternura...
vagamos por aí, esquinas, ruas, cafés... vagamos por aí sem nos darmos conta...
quando é que sabemos que temos uma casa?
saímos à rua, de chapéu de chuva no braço, olhamos o céu ainda escuro, prometendo chuva,
entramos no café do costume, pedimos o mesmo de sempre...
ficamos à espera do autocarro, numa paragem apinhada de gente. começou a chover...
ainda fumamos um cigarro, o sino da igreja bate as oito horas da manhã...
respiro fundo. fecho os olhos...
hoje cheguei finalmente à minha casa...
(lisboa...)
Etiquetas:
chão...
sábado, 12 de Setembro de 2009
sem alces nem trolls...
peço desculpa a quem prometi um post com fotos da família do homem da minha vida, mas a verdade é que eles são muito tímidos e não se deixaram fotografar...
ainda assim, após já uma semana do meu regresso, parece que ainda estou lá. é verdade que está um calor insuportável, e o São Pedro até teve pena de mim e teve uma conversinha com Zeus a fim de me darem uma trovoadazinha... aos dois o meu muito obrigado. sim por que lá para o Monte Olimpo já devem ter disto das internetes, tiveram de se actualizar né?!
aqui em Lisboa parece-me tudo igual... mas no entanto em quinze dias muita coisa mudou... abriu um novo troço da linha vermelha (urraiiiiihhhh), existe mais um autocarro em Benfica (ainda vou investigar a sua futura utilidade para mim) e a minha prima Mara casou-se!!! vim mesmo a tempo de assistir à cerimónia. bonita, simples, e com surpresas... surpreendentemente, algo nesse dia tocou-me. vê-la ali de vestido branco, véu, linda e com um sorriso vibrante, a realizar um dos seu sonhos, um sonho aliás que desde novas partilhava-mos: como seria o nosso vestido, a cor do baton, a música que íamos dançar, a data... sim por que queríamos casar as duas no mesmo dia! tal não aconteceu, até por que para ela esse sonho continuou, e em mim morreu... acho irrelevante o casamento. ou pelo menos achava... se antes era tão rígida no meu pensamento de nunca me casar, hoje acho que sou mais flexível... pois bem, quem não muda estagna, e eu não quero ser um lago de águas paradas. quero ser um rio, que nasce numa montanha verde, corre por entre os vales e planícies, e que desagua num mar qualquer...
leve como a bruma
que se acumula
nos teus cabelos
ágil como a pantera
que espera
no fim da noite
solitária como a lua
cheia sozinha
no céu negro...
ainda assim, após já uma semana do meu regresso, parece que ainda estou lá. é verdade que está um calor insuportável, e o São Pedro até teve pena de mim e teve uma conversinha com Zeus a fim de me darem uma trovoadazinha... aos dois o meu muito obrigado. sim por que lá para o Monte Olimpo já devem ter disto das internetes, tiveram de se actualizar né?!
aqui em Lisboa parece-me tudo igual... mas no entanto em quinze dias muita coisa mudou... abriu um novo troço da linha vermelha (urraiiiiihhhh), existe mais um autocarro em Benfica (ainda vou investigar a sua futura utilidade para mim) e a minha prima Mara casou-se!!! vim mesmo a tempo de assistir à cerimónia. bonita, simples, e com surpresas... surpreendentemente, algo nesse dia tocou-me. vê-la ali de vestido branco, véu, linda e com um sorriso vibrante, a realizar um dos seu sonhos, um sonho aliás que desde novas partilhava-mos: como seria o nosso vestido, a cor do baton, a música que íamos dançar, a data... sim por que queríamos casar as duas no mesmo dia! tal não aconteceu, até por que para ela esse sonho continuou, e em mim morreu... acho irrelevante o casamento. ou pelo menos achava... se antes era tão rígida no meu pensamento de nunca me casar, hoje acho que sou mais flexível... pois bem, quem não muda estagna, e eu não quero ser um lago de águas paradas. quero ser um rio, que nasce numa montanha verde, corre por entre os vales e planícies, e que desagua num mar qualquer...
leve como a bruma
que se acumula
nos teus cabelos
ágil como a pantera
que espera
no fim da noite
solitária como a lua
cheia sozinha
no céu negro...
Etiquetas:
o meio...
domingo, 30 de Agosto de 2009
neste stasjon: bergen...
saindo de oslo pela manhã, esperavam-me quase sete horas de viagem... pela janela do comboio admirei verdadeiros quadros vivos, de uma beleza que as palavras não conseguem alcançar. a meu lado encontrava-se um belo rapaz de tez morena, tão admirado quanto eu. chama-se marc e é de barcelona. é engraçado isto dos encontros inesperados... acabaríamos a viagem juntos, passeando pela cidade e pelas montanhas... "a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..." (v. de m.). se me pedirem para descrever a viagem diria somente isto: água, água por todo o lado... neve... rios... lagos... fjords... chuva... água, água por todo o lado... e verde, muito verde... e mais água... a cidade? tem um aroma próprio, a mar, a terra molhada, a chuva, muita chuva... comi o melhor salmão da minha vida!!! a textura, sabor, aroma, e apresentação estavam perfeitos!!! tenho de agradecer ao kristian que tão gentilmente me acolheu no seu "sofá" (isto do couchsurfing é das melhores invenções das "internetes")... e pronto resumindo um pouco: em 4 dias vivi mais que em tantos meses aí em lisboa. em 4 dias apenas não consigo arranjar gavetas para meter tanta recordação... sinto-me nova... e com tanta coisa ainda para ver, para cheirar e para saborear... quero mais... muito mais...
Etiquetas:
noruega...
segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
neste stasjon: nationaltheatret...
chegada a oslo, fui até nationaltheatret esperar o meu futuro "guia"...
à noite fomos passear pelos arredores da casa onde fiquei com o senhor meu "guia"em gråkamveien, e como eu tenho um sentido de orientação fantástico, foi preciso uma explicação extensiva e complexa por parte do meu "guia"...
e no dia seguinte encontrei o homem da minha vida... o meu "guia" achou lindo e romântico e tirou uma foto...
num lago algures no meio da floresta, o meu "guia", após meditação profunda, teve uma epifania...
...e eu desenvolvi uma obsessão por cogumelos...
após um passeio de barco, descobri o local de reunião de uma sociedade secreta... estavam com toda a certeza a conspirar contra nós!...
passear é muito fixe e tal, mas as dores nos pés começam a assaltar-me de forma avassaladora!!! (estou tão velha e caquéctica e senil e jarreta)...
mais uma vez, ana a snob, aparece...
olá! estás aí??? não te tinha visto...
o meu "guia" está a ser muito bem tratado e alimentado... não quero que desfaleça... assim não teria ninguém para impedir que eu tropece em tudo o que vejo...
olha ali um alce!
olha ali um alce!
Etiquetas:
noruega...
sábado, 15 de Agosto de 2009
vou fazer uma viagem...
vou fazer uma viagem.
tenho tudo o que preciso:
mala, roupas dobradas cuidadosamente,
uma bolsinha para a escova de dentes.
tenho tudo o que preciso:
um guia do país, maquina fotográfica,
e o meu caderninho preto.
tenho tudo o que preciso.
vou fazer uma viagem.
vou meter-me no avião,
aterrar num país diferente.
vou fazer uma viagem.
apanho um comboio para
outra cidade ainda.
vou fazer uma viagem.
tenho tudo o que preciso:
as minhas pernas, os meus braços,
a minha cabeça, os meus pulmões,
o meu... onde está?
perdi!
perdi o meu...
ficou no cais?
ficou no cais o meu...
tenho tudo o que preciso:
mala, roupas dobradas cuidadosamente,
uma bolsinha para a escova de dentes.
tenho tudo o que preciso:
um guia do país, maquina fotográfica,
e o meu caderninho preto.
tenho tudo o que preciso.
vou fazer uma viagem.
vou meter-me no avião,
aterrar num país diferente.
vou fazer uma viagem.
apanho um comboio para
outra cidade ainda.
vou fazer uma viagem.
tenho tudo o que preciso:
as minhas pernas, os meus braços,
a minha cabeça, os meus pulmões,
o meu... onde está?
perdi!
perdi o meu...
ficou no cais?
ficou no cais o meu...
Etiquetas:
movimento...
terça-feira, 4 de Agosto de 2009
fotografia...
"queres subir?"
eu disse que sim.
pousei a minha mala no chão do teu quarto
sentei-me na tua cama e tu perguntaste:
"vamos para a sala?"
eu fui.
sentei-me no sofá, agarrei no copo que me estendias.
ligaste a televisão. nada interessante.
olhaste para mim. interrogaste-me.
eu olhei para ti e respondi.
eu disse que sim.
pousei a minha mala no chão do teu quarto
sentei-me na tua cama e tu perguntaste:
"vamos para a sala?"
eu fui.
sentei-me no sofá, agarrei no copo que me estendias.
ligaste a televisão. nada interessante.
olhaste para mim. interrogaste-me.
eu olhei para ti e respondi.
Etiquetas:
chão...
segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
quadro...
hoje não vou pintar um quadro bonito.
vou pegar na tela de algodão branco
e espalhar nela toda a tinta vermelha que tenho.
não a tinta do meu sangue mas a tinta dos meus lábios.
hoje pintei os lábios de vermelho
na tentativa de dizer doces palavras,
mas apenas deles saíram rajadas
de palavras não doces, amargas.
hoje pintei um quadro a vermelho.
a tela escorria tinta cor de fogo,
desse mesmo fogo que nos aqueceu
e nos confortou e nos queimou.
amanha pinto um quadro para ti.
um quadro azul escuro, daquele azul da noite.
nele vou pôr estrelas, melodias e sonhos.
os teus sonhos...
vou pegar na tela de algodão branco
e espalhar nela toda a tinta vermelha que tenho.
não a tinta do meu sangue mas a tinta dos meus lábios.
hoje pintei os lábios de vermelho
na tentativa de dizer doces palavras,
mas apenas deles saíram rajadas
de palavras não doces, amargas.
hoje pintei um quadro a vermelho.
a tela escorria tinta cor de fogo,
desse mesmo fogo que nos aqueceu
e nos confortou e nos queimou.
amanha pinto um quadro para ti.
um quadro azul escuro, daquele azul da noite.
nele vou pôr estrelas, melodias e sonhos.
os teus sonhos...
Etiquetas:
o ser...
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
reflexo de ti...
"There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you"
The Cure, Pictures of You
imagem reflexo espelho...
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you"
The Cure, Pictures of You
imagem reflexo espelho...
Etiquetas:
chão...
quarta-feira, 17 de Junho de 2009
dupla identidade...
vergo-me à sombra do sobreiro
enquanto de me ergo nos meus pensamentos
vive-se a paz do cheiro a feno cortado
e do som da brisa de fim de tarde nos ramos
tenho duas mãos entrelaçadas noutras duas
já não sei a quem pertence a minha coxa
sei apenas que somente a mim e talvez a outro
pertence aquele meu eu imenso e confuso
não sei se me perdi já apesar de caminhar em linha recta até ao por do sol
não sei se me perdi já apesar de seguir o rumo traçado pela linha do horizonte
não sei não sei apenas noto a ausência de mim no meu peito
um aperto confuso que magoa e sangra por vezes
sei somente que onde eu estiver procurarei por ti
procurarei por mim...
enquanto de me ergo nos meus pensamentos
vive-se a paz do cheiro a feno cortado
e do som da brisa de fim de tarde nos ramos
tenho duas mãos entrelaçadas noutras duas
já não sei a quem pertence a minha coxa
sei apenas que somente a mim e talvez a outro
pertence aquele meu eu imenso e confuso
não sei se me perdi já apesar de caminhar em linha recta até ao por do sol
não sei se me perdi já apesar de seguir o rumo traçado pela linha do horizonte
não sei não sei apenas noto a ausência de mim no meu peito
um aperto confuso que magoa e sangra por vezes
sei somente que onde eu estiver procurarei por ti
procurarei por mim...
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
sábado, 6 de Junho de 2009
carícia...
...
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
sempre a cada dia que passa
a miragem em que te revejo
subindo a calçada da Graça
o teu olhar de um incontornável desejo
cingindo-me a cintura num eterno beijo...
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
sempre a cada dia que passa
a miragem em que te revejo
subindo a calçada da Graça
o teu olhar de um incontornável desejo
cingindo-me a cintura num eterno beijo...
Etiquetas:
calor...
quarta-feira, 3 de Junho de 2009
na hora do lobo...
na hora em que as sombras tomam conta do que te rodeia,
as pálpebras começam a pesar nos teus olhos e
o corpo quer ceder à inercia da cama,
nessa hora estou desperta.
os meus sentidos estão mais claros,
o meu corpo clama pela vida lá fora no abismo da noite.
na hora em que a lua reflecte a sua luz no tejo,
eu saio à rua dançando com os vultos,
cantando com o vento, bebendo a maresia com todo o meu ser...
as pálpebras começam a pesar nos teus olhos e
o corpo quer ceder à inercia da cama,
nessa hora estou desperta.
os meus sentidos estão mais claros,
o meu corpo clama pela vida lá fora no abismo da noite.
na hora em que a lua reflecte a sua luz no tejo,
eu saio à rua dançando com os vultos,
cantando com o vento, bebendo a maresia com todo o meu ser...
Etiquetas:
orvalho...
sábado, 16 de Maio de 2009
"A Ilha das Trevas" - o rescaldo
são 8 horas e 32 minutos do dia 16 de maio do ano de 2009.
o texto que escrevo hoje não pode ser belo.
terminei de ler um livro. um livro que a partida seria "inofensivo"... um relato jornalístico, factual, sobre os acontecimentos da história de Timor.
engano.
recordei as vigílias em frente à embaixada dos Estados Unidos, o cordão humano em Lisboa, a união de um país inteiro por Timor.
é algo que me choca. a forma fria como estas questões de guerra são tratadas. "invade-se... não se invade...." e a população que se lixe... por que é e sempre será assim.
não me esqueço. e o pior é a ficção cruzar-se tanto com a realidade. não me esqueço do "testemunho final" de Paulino... não irei nunca apagar a agonia e a sensação fria e amarga na boca após ter repetido em voz alta as palavras que acabara de ler. o nojo que senti ao saber que apesar do nome "Paulino" ser mero adorno, a situação por que passou é facto! (e continua a sê-lo, que esta palhaçada toda de Iraques e companhias "ilimitadas" não é pêra doce não!)
estou cansada. farta. indignada a um ponto extremo. irritada é verdade. extremamente.
claro que ninguém a não ser eu e mais dois ou três caramelos estão a perceber esta torrente de palavras.... claro que já ninguém percebe a indignação de outra pessoa com este tipo de assuntos... claro...
tornou-se...
banal.
sim.
banal um pai ver-se obrigado a matar a própria filha para evitar que esta seja violada por não sei quantos tipos de farda (sim, filho a farda fica-te muito bem, vê lá se te portas bem lá prás guerras... e leva protector solar que lá faz muito sol!) ...
comum... nada estranho...
banal...
naquela altura fomos tão grandes na nossa pequenez... a nossa pequena voz de país à beira-mar plantado foi suficiente para mover países com o quadruplo do nosso tamanho, por uma causa justa. bastou apenas uma pequenina voz...
mandam-me calar? não..... sou pequena, posso ser minúscula até. mas só me calo com sete palmos de terra em cima!!!
mania de mandar calar as pessoas pah!
"não me obriguem a vir para a rua gritar..."
e agora dizem "lá vem o saudosismo... típico do português... a lembrar de quando era grande e tal e coiso..." não é?
claro que é. a preguiça de mexer o rabo do sofá é grande não é? abrir a boca agora é fácil, com o comando da tv na mão... "isto, o país está em crise... o mundo está em crise... o canário está em crise... o cão da vizinha muita boa do 2º direito está em crise..." e continua no sofá a ver a grande crise que o país está...
estou irritada.
extremamente irritada.
apetece-me... não sei... ir ao café do tio joaquim mamar umas belas mines e comer uns tremoços enquanto dá o meu Benfica! é isso... e no intervelo assisto a mais um pouco de crise, e guerras e fome, muita fome que já não há pasteis de bacalhau, agora só rissóis de camarão...
não me parece...
p.s. não vou pedir desculpa por este texto. se não é do "estilo" do blogue... que se dane!!! também não era para ser bonito ou muito profundo. o ser humano tem destas coisas e a mim apeteceu-me escrever após esta minha noite branca, e públicar este rol de palavras aparentemente sem sentido para alguns, mas que a mim me dá alguma paz de espírito. não muita. que é preciso sair à rua e fazer alguma coisa!!!!!
quem vem comigo?
o texto que escrevo hoje não pode ser belo.
terminei de ler um livro. um livro que a partida seria "inofensivo"... um relato jornalístico, factual, sobre os acontecimentos da história de Timor.
engano.
recordei as vigílias em frente à embaixada dos Estados Unidos, o cordão humano em Lisboa, a união de um país inteiro por Timor.
é algo que me choca. a forma fria como estas questões de guerra são tratadas. "invade-se... não se invade...." e a população que se lixe... por que é e sempre será assim.
não me esqueço. e o pior é a ficção cruzar-se tanto com a realidade. não me esqueço do "testemunho final" de Paulino... não irei nunca apagar a agonia e a sensação fria e amarga na boca após ter repetido em voz alta as palavras que acabara de ler. o nojo que senti ao saber que apesar do nome "Paulino" ser mero adorno, a situação por que passou é facto! (e continua a sê-lo, que esta palhaçada toda de Iraques e companhias "ilimitadas" não é pêra doce não!)
estou cansada. farta. indignada a um ponto extremo. irritada é verdade. extremamente.
claro que ninguém a não ser eu e mais dois ou três caramelos estão a perceber esta torrente de palavras.... claro que já ninguém percebe a indignação de outra pessoa com este tipo de assuntos... claro...
tornou-se...
banal.
sim.
banal um pai ver-se obrigado a matar a própria filha para evitar que esta seja violada por não sei quantos tipos de farda (sim, filho a farda fica-te muito bem, vê lá se te portas bem lá prás guerras... e leva protector solar que lá faz muito sol!) ...
comum... nada estranho...
banal...
naquela altura fomos tão grandes na nossa pequenez... a nossa pequena voz de país à beira-mar plantado foi suficiente para mover países com o quadruplo do nosso tamanho, por uma causa justa. bastou apenas uma pequenina voz...
mandam-me calar? não..... sou pequena, posso ser minúscula até. mas só me calo com sete palmos de terra em cima!!!
mania de mandar calar as pessoas pah!
"não me obriguem a vir para a rua gritar..."
e agora dizem "lá vem o saudosismo... típico do português... a lembrar de quando era grande e tal e coiso..." não é?
claro que é. a preguiça de mexer o rabo do sofá é grande não é? abrir a boca agora é fácil, com o comando da tv na mão... "isto, o país está em crise... o mundo está em crise... o canário está em crise... o cão da vizinha muita boa do 2º direito está em crise..." e continua no sofá a ver a grande crise que o país está...
estou irritada.
extremamente irritada.
apetece-me... não sei... ir ao café do tio joaquim mamar umas belas mines e comer uns tremoços enquanto dá o meu Benfica! é isso... e no intervelo assisto a mais um pouco de crise, e guerras e fome, muita fome que já não há pasteis de bacalhau, agora só rissóis de camarão...
não me parece...
p.s. não vou pedir desculpa por este texto. se não é do "estilo" do blogue... que se dane!!! também não era para ser bonito ou muito profundo. o ser humano tem destas coisas e a mim apeteceu-me escrever após esta minha noite branca, e públicar este rol de palavras aparentemente sem sentido para alguns, mas que a mim me dá alguma paz de espírito. não muita. que é preciso sair à rua e fazer alguma coisa!!!!!
quem vem comigo?
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
sexta-feira, 1 de Maio de 2009
caminho descendente...
meu amor, saí à rua para comprar cigarros.
não sei se reparaste, levei o blusão preto.
desci aquela rua, paralela à tua, cheia de carros.
meu amor, saí à rua para comprar cigarros.
não sei se reparaste, levei as velhas calças desbotadas.
desci a outra rua, aquela onde fumavas charros.
meu amor, saí à rua para comprar cigarros.
não sei se reparaste, mas não levei as chaves.
desci todas as ruas, e não subi nenhuma.
meu amor, saí à rua para comprar cigarros.
não sei se reparaste, mas ainda não voltei.
se desceres todas as ruas, talvez eu suba uma...
não sei se reparaste, levei o blusão preto.
desci aquela rua, paralela à tua, cheia de carros.
meu amor, saí à rua para comprar cigarros.
não sei se reparaste, levei as velhas calças desbotadas.
desci a outra rua, aquela onde fumavas charros.
meu amor, saí à rua para comprar cigarros.
não sei se reparaste, mas não levei as chaves.
desci todas as ruas, e não subi nenhuma.
meu amor, saí à rua para comprar cigarros.
não sei se reparaste, mas ainda não voltei.
se desceres todas as ruas, talvez eu suba uma...
Etiquetas:
o ser...
sexta-feira, 10 de Abril de 2009
01:16...
tenho os meus pés descalços
nus no asfalto
o sol aquece a gravilha
sinto-a nos meus dedos
queima-me mas não me importo...
continuo a andar
uma pedrinha teima
colou-se ao meu calcanhar
ignoro-a e continuo a andar...
la em cima
sento-me e olho a volta...
dois pardais bebem água
um homem apara um roseiral
caem pequenas gotas de chuva...
agarro nos meus sapatos
e começo a limpar os pés...
agarro na pedrinha e olho melhor
é esverdeada...
lembra-me os olhos de alguém...
guardo a pedra no bolso e volto para casa...
nus no asfalto
o sol aquece a gravilha
sinto-a nos meus dedos
queima-me mas não me importo...
continuo a andar
uma pedrinha teima
colou-se ao meu calcanhar
ignoro-a e continuo a andar...
la em cima
sento-me e olho a volta...
dois pardais bebem água
um homem apara um roseiral
caem pequenas gotas de chuva...
agarro nos meus sapatos
e começo a limpar os pés...
agarro na pedrinha e olho melhor
é esverdeada...
lembra-me os olhos de alguém...
guardo a pedra no bolso e volto para casa...
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
terça-feira, 17 de Março de 2009
solta-se no peito...
no teu seio revolucionário
abrigaste todas as minhas esperanças
nos teus braços embalaste-me...
rosa e cravo...
rosa que é cravo
e cravo que beijou a rosa...
solta-se no peito
salta da minha garganta...
seremos livres... seremos filhos da madrugada...
abrigaste todas as minhas esperanças
nos teus braços embalaste-me...
rosa e cravo...
rosa que é cravo
e cravo que beijou a rosa...
solta-se no peito
salta da minha garganta...
seremos livres... seremos filhos da madrugada...
Etiquetas:
chão...
quarta-feira, 11 de Março de 2009
apenas...
eleita sempre na vaga ondulação do mar
mergulhando nos meus braços adormeces...
mergulhando nos meus braços adormeces...
Etiquetas:
sal...
sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
canção da despedida incompleta...
olho-te e não te quero ver
vejo-te mas não quero olhar
os teus olhos ariscos e felinos
não se fixam em nenhum ponto
não te quero olhar mas vejo-te
encostas-te na poltrona e sorris
as tuas mãos oscilam
o teu olhar não se fixa
perdeste o foco
e eu perdi o chão
olho-te agora
mas não te quero ver
imóvel sustendo a respiração
seguro no peito apenas esta canção
segue o som
perde o freio
oscila no vento
canta o tormento
corre depressa
já ninguém te espera
sobe as escadas
e sai pela janela
mergulha de cabeça
ninguém te espera
desce o rio
mergulha no mar
parte para longe
onde te possam esperar
vejo-te mas não quero olhar
os teus olhos ariscos e felinos
não se fixam em nenhum ponto
não te quero olhar mas vejo-te
encostas-te na poltrona e sorris
as tuas mãos oscilam
o teu olhar não se fixa
perdeste o foco
e eu perdi o chão
olho-te agora
mas não te quero ver
imóvel sustendo a respiração
seguro no peito apenas esta canção
segue o som
perde o freio
oscila no vento
canta o tormento
corre depressa
já ninguém te espera
sobe as escadas
e sai pela janela
mergulha de cabeça
ninguém te espera
desce o rio
mergulha no mar
parte para longe
onde te possam esperar
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
longe, longínquo...
lua meia cheia
brilha na ilha
cai no ar do mar
do sentimento
meia lua cheia
serpenteia no alto
salto da mulher-candeia
cheia lua meia inteira
presenteia a aranha
na sua teia...
brilha na ilha
cai no ar do mar
do sentimento
meia lua cheia
serpenteia no alto
salto da mulher-candeia
cheia lua meia inteira
presenteia a aranha
na sua teia...
Etiquetas:
chão...
quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
cumplicidade...
num cruzar de olhos adivinhou-se...
um enlaço de pernas, um abraço terno.
numa melodia vibrante criou-se...
um troar de pés, um pulsar sereno.
jasmin e chocolate, paixão e saudade...
suster a respiração e continuar.
cantar o corpo a dançar...
um enlaço de pernas, um abraço terno.
numa melodia vibrante criou-se...
um troar de pés, um pulsar sereno.
jasmin e chocolate, paixão e saudade...
suster a respiração e continuar.
cantar o corpo a dançar...
Etiquetas:
o corpo...
quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
felina imagem... arisca mensagem...
felino esquivo dono de mim
notas de malícia nos teus lábios
cantam uma canção sem fim...
surges na noite fria
e brincando com os meus sentidos
esperas que eu sorria...
depois foges novamente
refugias-te em sons desentendidos
palavras criadas deliberadamente...
felino arisco dono de ti...
notas de malícia nos teus lábios
cantam uma canção sem fim...
surges na noite fria
e brincando com os meus sentidos
esperas que eu sorria...
depois foges novamente
refugias-te em sons desentendidos
palavras criadas deliberadamente...
felino arisco dono de ti...
Etiquetas:
sal...
sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
fio de rio...
equilibro-me nas pontas dos pés, olho para baixo. um fio de rio corre vagarosamente. fecho os olhos. tenho dois minutos. dois minutos apenas.
que fazer? abandono o meu corpo ao peso do meu curto viver. beijos, caricias, palavras ternas do meu último amante ecoam no meu peito. o sino velho de uma capela mais antiga que o tempo recorda desperta-me.
olho para baixo. um fio de rio corre calmamente, imperturbável. sinto um arrepio na nuca. alguém sopra palavras doces, confortantes.
abandono-me ao peso do meu corpo e caio no vazio.
a fria água embala o meu corpo ainda morno.
olho para baixo. um fio de rio corre de mansinho. duas rosas vermelhas na margem. alguém me chama...
mãe? és tu?
(sinto a tua falta)
que fazer? abandono o meu corpo ao peso do meu curto viver. beijos, caricias, palavras ternas do meu último amante ecoam no meu peito. o sino velho de uma capela mais antiga que o tempo recorda desperta-me.
olho para baixo. um fio de rio corre calmamente, imperturbável. sinto um arrepio na nuca. alguém sopra palavras doces, confortantes.
abandono-me ao peso do meu corpo e caio no vazio.
a fria água embala o meu corpo ainda morno.
olho para baixo. um fio de rio corre de mansinho. duas rosas vermelhas na margem. alguém me chama...
mãe? és tu?
(sinto a tua falta)
Etiquetas:
orvalho...
quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
pedras e chuva...
inquietante é a vida à nossa frente. o que passou está lá, aconteceu, não se muda.
o caminho ainda por percorrer, sem sabermos que rios iremos atravessar, que florestas densas, que escaldantes desertos, esse sim é sublime.
a magia de existirmos reside no desconhecimento total do nosso futuro.
somos mortais e cada segundo é precioso.
num lapso de tempo, num ínfimo de espaço, em beijos roubados, em olhares trocados...
a minha pele, a tua pele, a nossa pele...
o nosso mundo criado e sempre, sempre reinventado...
nas sombras, nos vultos, numa nota grave ecoando no meu, no teu, no nosso fado...
o caminho ainda por percorrer, sem sabermos que rios iremos atravessar, que florestas densas, que escaldantes desertos, esse sim é sublime.
a magia de existirmos reside no desconhecimento total do nosso futuro.
somos mortais e cada segundo é precioso.
num lapso de tempo, num ínfimo de espaço, em beijos roubados, em olhares trocados...
a minha pele, a tua pele, a nossa pele...
o nosso mundo criado e sempre, sempre reinventado...
nas sombras, nos vultos, numa nota grave ecoando no meu, no teu, no nosso fado...
Etiquetas:
orvalho...
segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
paris quatre...

é dura a despedida...
ficam as memórias dos cheiros, das cores, dos sabores...
uma ultima imagem de uma paris despertando para uma nova vida.
aos tropeções no metro, com uma mala cheia de lembranças,
despeço-me da cidade cor-de-rosa...
não sabendo, ele sabe
que aquilo que sei
nos nossos beijos lembrei...
Etiquetas:
paris...
quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
paris trois...
seguro na mão um caderno em branco. folhas limpas, imensas linhas direitas, tortuosas...
sento-me num banco de jardim e as palavras que me estalam no peito,
como as castanhas a meu lado, começam a fluir...
como a brisa, que me traz o aroma doce dos crepes...
como o rio, que corre la em baixo.
apenas aqui os tons do anoitecer são rosados...
je vois la vie en rose... canta alguem junto ao carrocel.
o frio congela-me a carne, mas desperta algo...
um imenso sentir, um imenso desejo, um imenso sorriso.
faço um esgar... experimento a sensação... e sorrio.
sorrio por puro prazer. por que as imagens,
pequenos quadros vivos, são belas...
é tempo de beber mais uma taça de vinho.
escureceu já. pequenas gotas de chuva, timidas,
aconchegam-se umas às outras no meu casaco.
não me importo. afinal, apenas querem um pouco de ternura...
parto agora. fica a memória das castanhas e o desejo de voltar...
amanha, a esta hora.
Etiquetas:
paris...
quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
paris deux..
entre céus nebulados, pequenas gotas de chuva no rosto e uma taça de vinho,
nas pontes do sena encontrei-me e perdi-me em pensamentos inquietantes...
entre quartier latin e montmartre, elevei-me em atmosferas rosas, notas doces
de um acordeão, confortantes, quentes...
entre os risos nocturnos e as luzes brilhantes, aqui em paris, o tempo corre suavemente...
nestas esquinas ainda desconhecidas, a vontade de ficar é estranha...
entranha-se no meu corpo, enrosca-se na minha nuca, respira na minha boca...
o alimento que procurava, encontrei-o aqui.
o rio é outro, mas acaba por se misturar com o tejo no mesmo oceano de emoções...
o tempo é curto... mas a vontade é enorme...
paris de amores que não tive, paris de sonhos e mistérios, paris dos olhos doces
na boca de um duende, bailando ao vento...
Etiquetas:
paris...
segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
paris un...
segundos de silêncio no ar
durante vinte e poucos minutos de sentir e amar...
lisboa ficou para trás... o tejo ao longe disse-me adeus...
uma terra ainda conhecida à minha frente, outra por descobrir mais além...
um croissant e um café s'il vous plaît...
música e fonemas maiores nesta viagem.
canções menores blues e fado, recordo nesta mensagem...
Etiquetas:
paris...
quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
sonho de outono...
na estação de comboios sentia-se o aroma a castanhas e despedidas,
suores fingidos e olhares perdidos...
na bagagem levei apenas um retrato.
o teu...
parti na hora certa do ocaso, mergulhada em leituras e chá de limão.
olhando pela janela, a paisagem avançava sem pedir licença...
ao meu lado uma mulher ressonava de mansinho, assobiando
num tom suave, uma qualquer canção...
fecho os olhos, já não sei em qual linha ia.
flutuo entre o cheiro a maresia e as memórias que levo
naquela simples mala preta. apenas um retrato.
o teu lisboa.
suores fingidos e olhares perdidos...
na bagagem levei apenas um retrato.
o teu...
parti na hora certa do ocaso, mergulhada em leituras e chá de limão.
olhando pela janela, a paisagem avançava sem pedir licença...
ao meu lado uma mulher ressonava de mansinho, assobiando
num tom suave, uma qualquer canção...
fecho os olhos, já não sei em qual linha ia.
flutuo entre o cheiro a maresia e as memórias que levo
naquela simples mala preta. apenas um retrato.
o teu lisboa.
Etiquetas:
chão...
quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
porque sim...
pés juntos, braços caídos ao longo do corpo... agora mexe-te... ouve a musica!!! estás sozinho na sala... liberta as pernas... deixa-te ir... isso... olha os pés!!! mexe os pés também!!!
respira... respira... RESPIRA...
sente a musica, não pares!!! o teu corpo todo estremece... isso... rodopia!!! RODOPIA!!!
vá, não pares... não pares agora...
DANÇA!!!
respira... respira... RESPIRA...
sente a musica, não pares!!! o teu corpo todo estremece... isso... rodopia!!! RODOPIA!!!
vá, não pares... não pares agora...
DANÇA!!!
Etiquetas:
movimento...
quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
segunda vontade...
tenho duas taças de vinho encostadas ao meu peito. duas partes de ti. dois tus. duas chamas que me queimam na noite amena desta tarde serena... dois seres oblíquos que se interceptam nas esquinas de lisboa... nas manhãs de brigantia, subimos as ruas e descemos as avenidas... acabamo-nos nas vielas e bebemos café... seguramos o texto junto ao nosso ventre, desfalecemos e erguemo-nos num beijo arisco... sem tempo... sem espaço... apenas o infinito, o inconstante, o sublime à nossa frente... apenas o desejo de estar não estando... apenas a vida em ebulição, apenas um vulcão em erupção... viver respirando cada segundo em que acontecemos... resgatando as memórias de quando fomos aquilo que não podemos dizer... apenas adivinhando nos silencios o que partilhamos nestas encruzilhadas... o barco já saiu do cais... chegará à outra margem? não sei... mas o tejo é sempre o mesmo...
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
sede...
se em cada silencio teu
eu me adivinhar nas tuas palavras...
se em cada sussurro das tuas exaltações
eu me cativar nas tuas motivações...
se o verbo se encaixar no meu sujeito...
se a febre se acabar nas minhas emoções...
se a vida morrer nestes lençóis
e acordar nos teus anzóis...
resgatar-me-ias destas ilusões....
eu me adivinhar nas tuas palavras...
se em cada sussurro das tuas exaltações
eu me cativar nas tuas motivações...
se o verbo se encaixar no meu sujeito...
se a febre se acabar nas minhas emoções...
se a vida morrer nestes lençóis
e acordar nos teus anzóis...
resgatar-me-ias destas ilusões....
Etiquetas:
calor...
noites brancas...
na noite em que te escrevo
a escuridão envolve o meu peito
sonho com as coisas que não te disse
com tudo o que ficou esquecido no nosso leito...
creio no nosso fogo... aquela loucura que nos aquece...
nada serve o lamento deste corpo se apenas no teu ele estremece...
vem... vem... vem.... o tempo passa... vem... vem... vem... e me abraça...
a escuridão envolve o meu peito
sonho com as coisas que não te disse
com tudo o que ficou esquecido no nosso leito...
creio no nosso fogo... aquela loucura que nos aquece...
nada serve o lamento deste corpo se apenas no teu ele estremece...
vem... vem... vem.... o tempo passa... vem... vem... vem... e me abraça...
Etiquetas:
o corpo...
quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
sussurro...
sinto-te nas coisas em que toco,
sinto-te nas ruas macilentas
cheias de gentes baças.
quero-te no copo de vinho que bebo,
quero-te agora que respiro
neste sofá onde me acabo.
pele, a minha pele, a tua pele,
a nossa pele... o nosso calor...
o nosso desejo...
sinto-te nas ruas macilentas
cheias de gentes baças.
quero-te no copo de vinho que bebo,
quero-te agora que respiro
neste sofá onde me acabo.
pele, a minha pele, a tua pele,
a nossa pele... o nosso calor...
o nosso desejo...
Etiquetas:
o corpo...
sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
03:47...
chovia de mansinho naquela manhã, umas pingas desajeitadas acariciavam o meu cabelo.
descias a rua, com passadas minúsculas e apressadas, interrogando com o olhar o chão molhado...
"esta chuva não te cheira a pão acabado de cozer e a café com leite???"
sorri.
"cheira a chá e a bolinhos quentes!!!"
paraste, fizeste aquele teu ar de estranheza... depois soltou-se uma gargalhada franca da tua garganta...
sorri. e ri contigo...
aquela chuva cheirava à cidade... às nossas memórias de dias de chuva branda... a um gole de ternura com o tejo a nossa frente...
subimos juntos a rua... e quando parámos, o sol sorriu para nós.
descias a rua, com passadas minúsculas e apressadas, interrogando com o olhar o chão molhado...
"esta chuva não te cheira a pão acabado de cozer e a café com leite???"
sorri.
"cheira a chá e a bolinhos quentes!!!"
paraste, fizeste aquele teu ar de estranheza... depois soltou-se uma gargalhada franca da tua garganta...
sorri. e ri contigo...
aquela chuva cheirava à cidade... às nossas memórias de dias de chuva branda... a um gole de ternura com o tejo a nossa frente...
subimos juntos a rua... e quando parámos, o sol sorriu para nós.
Etiquetas:
orvalho...
quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
03:18...
a minha lua não se esconde, mesmo quando não se mostra...
é como o meu mar, que me beija quando se enrosca,
e me arrepia, salpicando as minhas costas...
ela brilha na noite escura, e continua na minha memória...
e nesta noite clara, nem o sol me distrai contando outra história...
é como o meu mar, que me beija quando se enrosca,
e me arrepia, salpicando as minhas costas...
ela brilha na noite escura, e continua na minha memória...
e nesta noite clara, nem o sol me distrai contando outra história...
Etiquetas:
orvalho...
sábado, 20 de Setembro de 2008
porque foi lua cheia...
Pele
Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele
Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele
David Mourão-Ferreira
(uma excepção, um mestre, um suspiro...)
(uma excepção, um mestre, um suspiro...)
Etiquetas:
calor...
quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
...
todo o teu corpo é um poema
uma sinfonia uma melodia
teus olhos verdes de maresia...
todo o fulgor de seres tu
amante da terra servo da lua
meu sonho é meu fado: ser tua...
uma sinfonia uma melodia
teus olhos verdes de maresia...
todo o fulgor de seres tu
amante da terra servo da lua
meu sonho é meu fado: ser tua...
Etiquetas:
sal...
segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
sábado, 2 de Agosto de 2008
sexta-feira, 11 de Julho de 2008
suor e fantasia...
"dança comigo a primeira valsa da primavera..."
lua que cresce, lua que mingua...
do cimo da montanha espias os amantes...
há restos de suor e ternura no meio dos lençóis
onde esta noite se acabou, em beijos suplicantes...
de quê?
de nada... e de tudo...
lua que cresce, lua que mingua...
do cimo da montanha espias os amantes...
há restos de suor e ternura no meio dos lençóis
onde esta noite se acabou, em beijos suplicantes...
de quê?
de nada... e de tudo...
Etiquetas:
calor...,
o corpo...
segunda-feira, 16 de Junho de 2008
"que o sertão vire mar e o mar vire sertão..."
Depois de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964, um filme de Glauber Rocha, musica de Villa Lobos)
nem manuel, nem beato, nem corisco... apenas os homens desta terra...
nem deus nem o diabo, apenas o céu e a terra... e o mar...
ao longe... depois da montanha... sempre o mar... e a ilha também...
existe sempre uma ilha... aquela ilha, a tal ilha...
cego júlio descendo o sertão com a sua viola as costas...
"morreu maria bonita"...
nem manuel, nem beato, nem corisco... apenas os homens desta terra...
nem deus nem o diabo, apenas o céu e a terra... e o mar...
ao longe... depois da montanha... sempre o mar... e a ilha também...
existe sempre uma ilha... aquela ilha, a tal ilha...
cego júlio descendo o sertão com a sua viola as costas...
"morreu maria bonita"...
Etiquetas:
sal...
sábado, 7 de Junho de 2008
sangue...

já que as palavras me soaram sempre demasiado vazias perante aquilo que me fazes sentir...
graça sempre foste o meu canto... é nas tuas ruas que me encontro e me volto a perder...
sentada neste teu muro, espreitando o tejo, cresci e aprendi...
é pena uma fotografia não gravar o som dos pássaros nem o cheiro a maresia...
Etiquetas:
o ser...
terça-feira, 6 de Maio de 2008
pedaços de papel...
pedaços de papel...
onde uma ideia toma forma
e a palavra se reveste de significado.
metáforas, que deixam de o ser...
um pedaço de papel
com um mundo inteiro cativo
onde um sonho se torna realidade
e a metáfora ganha outro sentido...
onde uma ideia toma forma
e a palavra se reveste de significado.
metáforas, que deixam de o ser...
um pedaço de papel
com um mundo inteiro cativo
onde um sonho se torna realidade
e a metáfora ganha outro sentido...
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
sexta-feira, 25 de Abril de 2008
acordai!

após 34 anos, feitos de mudanças, alienações, deturpações à ideia de "libertação" que motivou o M.F.A. a fazer a revolução de 25 de abril de 1974... sinto que valeu a pena...
valeu a pena aquele dia, valeu a pena a valentia de grandes capitães (recordo sempre Salgueiro Maia), para que hoje, mesmo com crise económica, mesmo com o mau-humor de toda a gente, poder sentar-me num café, com um grupo de amigos, falar de politica, criticar, elogiar, sem ter o medo de ser presa e torturada.
bem ou mal, ainda somos nós que escolhemos os nossos dirigentes... a responsabilidade é de todos!!!
fazer um país não é estar inertes perante a crise... é ir batalhar todos os dias, não é criticar quem se elegeu sempre com a mesma expressão "fomos enganados"... eduquem-se, informem-se, trabalhem, para que não se deixem enganar com promessas vãs... olhem bem para aquilo que realmente é Portugal... este país de fado e saudade...
fazer um país requer um esforço de memória... recordar sempre as palavras fraternidade, amor, solidariedade, liberdade...
para que "ninguém feche as portas que abril abriu"...
valeu a pena aquele dia, valeu a pena a valentia de grandes capitães (recordo sempre Salgueiro Maia), para que hoje, mesmo com crise económica, mesmo com o mau-humor de toda a gente, poder sentar-me num café, com um grupo de amigos, falar de politica, criticar, elogiar, sem ter o medo de ser presa e torturada.
bem ou mal, ainda somos nós que escolhemos os nossos dirigentes... a responsabilidade é de todos!!!
fazer um país não é estar inertes perante a crise... é ir batalhar todos os dias, não é criticar quem se elegeu sempre com a mesma expressão "fomos enganados"... eduquem-se, informem-se, trabalhem, para que não se deixem enganar com promessas vãs... olhem bem para aquilo que realmente é Portugal... este país de fado e saudade...
fazer um país requer um esforço de memória... recordar sempre as palavras fraternidade, amor, solidariedade, liberdade...
para que "ninguém feche as portas que abril abriu"...
Etiquetas:
calor...
segunda-feira, 21 de Abril de 2008
chá de menta - parte 2
a alma...
são rostos, são corpos, são movimentos... ponto de ebulição de toda a imaginação, ferver aquilo que somos e juntar mais sabor... adoçar a nossa vida a gosto...
Etiquetas:
o ser...
chá de menta - parte 1
a matéria
num velho fogão a lenha, uma chaleira enferrujada de histórias começa a assobiar... um liquido doirado borbulha no seu interior, libertando ondas e aromas doces e verdes, que chegam em mensagens subtis e convidativas à porta da loja de tapetes.
cinco folhas de hortelã, uma colher de açúcar e aquele tapete azul se faz favor...
Etiquetas:
o corpo...
sábado, 12 de Abril de 2008
hominis...
Nil sapientae odiosius nimio
Séneca
Séneca
(depois de The Purloined Letter, Edgar Allan Poe)
Um copo de vidro deixado em cima da mesa.
Vazio...
Quem bebeu a minha água?
Ninguém...
Vazio...
Quem bebeu a minha água?
Ninguém...
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
quinta-feira, 10 de Abril de 2008
primeiro rito...
as primeiras linhas são
das musas...
as outras de quem as
preencher...
de palavras ou de olhares...
de suspiros ou de pesares...
as primeiras linhas não são minhas
minhas são todas as outras...
linhas, palavras, olhares, pesares...
aos outros apenas a sugestão
de uma sombra na bruma surgirá...
Etiquetas:
encruzilhada... encruzilhadas...
terça-feira, 8 de Abril de 2008
pele...
o tambor dá os primeiros sinais...
um corpo sai da bruma e move-se.
uma voz sublime aquece o ambiente.
a pele reflecte a luz e o corpo vibra, expande-se até ao infinito...
uma mulher surge e envolve esse corpo com o seu abraço.
eles tocam-se, dançam juntos.
as expressões mudam, vivem consoante os sentimentos.
morrem e renascem... vezes sem conta... até ao último suspiro...
cai o pano.
mas a beleza do momento ecoa no nosso ser.
para sempre...
Etiquetas:
movimento...
segunda-feira, 7 de Abril de 2008
toque...
pelas frestas da janela traços de luar vão
salpicando os lençóis de prateado e frescura
ao meu lado apenas um desejo não consumado...
Etiquetas:
o corpo...
Subscrever:
Mensagens (Atom)



