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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

05:02...

ser ver querer viver
sonhar tocar cantar amar

cair apanhar rogar seguir
beber cantar tocar sentir

ter viver sonhar cantar
querer ver sentir amar...

terça-feira, 27 de abril de 2010

II - queda...




trespassado
peito meu
espada tua

seres das sombras
saboreando raios de sol
nas margens do antigo

morte aqui ao lado
vida do outro lado...

I - queda ...




longe perto longe
chegamos a isto
perto de mais
longe de mais
a morte...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

ficção...

há bem pouco tempo, não muito longe daqui, uma criança brincava.
esperamos sempre que se continue a história...
hoje vou deixar as linhas restantes em branco.
há bem pouco tempo, não muito longe daqui, uma mulher chorava.

quinta-feira, 4 de março de 2010

coisas desta terra...

serão as oliveiras? os mal-me-queres-bem-me-queres?
ou talvez as colinas verdes, os riachos, as ribeiras...
ou se calhar nada disto. serão os risos, os choros, o fim das tardes?
as manhãs de pão acabado de cozer com manteiga e a caneca de café?

talvez... talvez...
mas os malmequeres e as ribeiras, os riachos e as oliveiras,
esses estão sempre lá, nas manhãs de pão quente,
e nos fins de tarde de risos e choros, à sombra das oliveiras...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

batuque...

la no fundo da rua
o rei do pião
joga seu jogo
girando a vida na mão

à volta dele mulheres
batucando no peito
de mãos abertas
gingando com deleito

saindo da roda
a índia de cabelos negros
rodopia com o rei
cantando seus segredos...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

de granito...

áspera, irregular, sólida.
assim é a tua pele.
quando me tocas, com os teus dedos frios e húmidos,
sinto conforto.
quando te peço um carinho, subitamente aqueces com a
luz do sol.
deitada no teu regaço, contas-me histórias fascinantes,
de homens, barcos e mar.
minha mãe, minha amante, minha terra, assim és tu,
deitada ao luar...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

pisa-papéis...

alguém abriu a minha janela
o vento frio despenteia-me o cabelo
...
tanta confusão!
alguém apanha esses papéis?

...
olhei para o lado
e ali estavas
pesado
mudo
surdo

peguei em ti
e fiz o que tinha de fazer.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

01:11...

quando é que sabemos que voltamos a casa?
não o apartamento ou vivenda ou outro imóvel onde vivemos... a casa... a nossa casa...
quando é que sabemos que estamos em casa?
o cheiro, o som, o calor, a ternura...
vagamos por aí, esquinas, ruas, cafés... vagamos por aí sem nos darmos conta...
quando é que sabemos que temos uma casa?
saímos à rua, de chapéu de chuva no braço, olhamos o céu ainda escuro, prometendo chuva,
entramos no café do costume, pedimos o mesmo de sempre...
ficamos à espera do autocarro, numa paragem apinhada de gente. começou a chover...
ainda fumamos um cigarro, o sino da igreja bate as oito horas da manhã...

respiro fundo. fecho os olhos...

hoje cheguei finalmente à minha casa...

(lisboa...)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

fotografia...

"queres subir?"
eu disse que sim.
pousei a minha mala no chão do teu quarto
sentei-me na tua cama e tu perguntaste:
"vamos para a sala?"
eu fui.
sentei-me no sofá, agarrei no copo que me estendias.
ligaste a televisão. nada interessante.
olhaste para mim. interrogaste-me.
eu olhei para ti e respondi.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

reflexo de ti...

"There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you"

The Cure, Pictures of You


imagem reflexo espelho...


terça-feira, 17 de março de 2009

solta-se no peito...

no teu seio revolucionário
abrigaste todas as minhas esperanças
nos teus braços embalaste-me...
rosa e cravo...
rosa que é cravo
e cravo que beijou a rosa...
solta-se no peito
salta da minha garganta...
seremos livres... seremos filhos da madrugada...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

longe, longínquo...

lua meia cheia
brilha na ilha
cai no ar do mar
do sentimento

meia lua cheia
serpenteia no alto
salto da mulher-candeia

cheia lua meia inteira
presenteia a aranha
na sua teia...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

sonho de outono...

na estação de comboios sentia-se o aroma a castanhas e despedidas,
suores fingidos e olhares perdidos...
na bagagem levei apenas um retrato.
o teu...
parti na hora certa do ocaso, mergulhada em leituras e chá de limão.
olhando pela janela, a paisagem avançava sem pedir licença...
ao meu lado uma mulher ressonava de mansinho, assobiando
num tom suave, uma qualquer canção...
fecho os olhos, já não sei em qual linha ia.
flutuo entre o cheiro a maresia e as memórias que levo
naquela simples mala preta. apenas um retrato.
o teu lisboa.