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quinta-feira, 12 de maio de 2011

16:59...

sonhei ontem: um barco que me levava a
praias distantes banhadas pelo mesmo mar.

a costa de linhas suaves, salpicada de árvores,
pintada a ocre e verde.

sonhei ontem: éramos uns quantos marinheiros
num barco de madeira, gritávamos: liberdade!

a costa de linhas suaves, salpicada de árvores,
pintada a ocre e verde.

alguém acena da praia:
"bem vindos a casa."

terça-feira, 27 de abril de 2010

II - queda...




trespassado
peito meu
espada tua

seres das sombras
saboreando raios de sol
nas margens do antigo

morte aqui ao lado
vida do outro lado...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

03:52...

caprichosa máscara de carne
pintada a preto e vermelho.
a pele queimada por um sol,
enrugada por um vento.
incertezas e dor
castigo e amor...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

naquelas noites de chuva...

na magia daquelas noites de chuva
poesia que escrevemos nas pedrinhas da calçada
os beijos que demos naquelas noites de chuva...

o copo de vinho meio bebido
entornado no chão do quarto
tuas roupas espalhadas, teu corpo querido...

no calor daquelas noites de chuva
teus beijos queimando minha alma
teus abraços fazendo-me ignorar a chuva...



"Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil."


Vinicius de Morares, O Haver
.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

entre a chama e o mar...

sento-me,
sento-me nas rochas.
a espuma espalha-se à minha frente
e aninha-se no nicho de bivalves à minha frente.

deito-me,
deito-me nas rochas.
olho para o lado e a espuma...
e a espuma
espalha-se à minha volta.

sou uma ilha agora.

acende-se em mim um braseiro.
crepito,
crepito e aqueço...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

doni...

na alvorada deste dia, queima-se incenso, acendem-se tochas, bebe-se à tua saúde. ou será à tua saudade? não sei bem. escorrem néctares divinos dos tonéis, um braseiro ainda arde sem saber muito bem o porquê. o sol aparece no horizonte, anel de fogo que nos aquece. está frio, mas dançamos descalços, pés nus na terra. cantamos a ti minha mãe-terra, para que nos recordemos que ainda vives, que nos suportas, sustentas, alimentas. o fogo que nos queima na alma aquece-nos também. o pai sol eleva-se mais um pouco. um corvo dá sinal. crianças despertam do seu sono e juntam-se a nós, já exaustos. a festa tem de continuar. no meu peito ecoa a tua melodia primordial. o batuque vai avançando com o dia. cheiros de comidas começam a chegar aos nossos narizes famintos. o grito das aves marinhas acompanha o som das guitarras. um corvo dá o sinal. a festa continua. vinho, pão, doces e peixe são servidos em malgas toscas de madeira. o povo pequenino aparece. a festa continua. damos graças. à vida, a nossa, à tua vida minha mãe. à liberdade de estarmos aqui. por que o escolhemos. por que o quisemos. estar nesta tua casa, de pés nus na terra, cantando e dançando. porque a vida o merece, por que vale a pena estarmos vivos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

carta a antero...

Meu querido Antero, escrevo-te aqui de Lisboa, nesta fria noite de Janeiro, apenas para te recordar. Partiste. Já há muito que partiste. Mas ainda há quem te relembre, te leia, te queira bem. Não me conheces, é facto. Talvez o nosso espírito se tenho cruzado numa qualquer outra existência. Creio que seja essa a razão que me faz sentar aos pés da velha poltrona e, de olhos fechados, te imagine numa conversa prosaica, poética, intimista, cantando a bondade, a ternura, a candura. Hoje li-te. Hoje quis-te. Amanhã também. Quantos mais Anteros serão precisos? Apenas um, creio. Apenas um Antero. O bom Antero. O santo Antero.


...

"Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.

Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! É a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! São canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!" A. de Q.


a Antero de Quental...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

laranja, mel e canela...

à primeira dentada sinto os cabelos a arrepiarem-se com a tua acidez. espera. afinal és doce! da tua carne, ferida pela minha boca, sangra uma seiva aromática, refrescante, que escorre pela minha garganta.

faço cair sobre ti um pequeno riacho cor de oiro, translucido, sinuoso, brincalhão. cobre-te de pequenas caricias, enrosca-se, como um amante ansioso pelos beijos ternos da sua amada.

em jeito de dança, salpico-te com esta coisa meio estranha, que se cola aos meus dedos. agora sim. estás pronta.





laranja, mel e canela. haverá coisa mais simples, mais doce, mais quente?

domingo, 20 de dezembro de 2009

pionés...

uma tua outra minha
presas a um pedaço de cortiça velha
...
junto um postal agora:
ainda cheira a canela!

sábado, 19 de dezembro de 2009

post-it...

dois gomos de laranja
trincados até meio
...
dois meios-gomos de laranja:
estão no congelador!

domingo, 6 de dezembro de 2009

07:11...

o dia começa a clarear.
prega-me uma partida como se eu ainda tivesse cinco anos, e deita-me a língua de fora desde a janela. malandreco!
tenho a voz rouca e dói-me os pés. mas ainda assim apetece-me.
ligo o gira-discos. fecho os olhos. atiro os chinelos para o lado e...


terça-feira, 27 de outubro de 2009

em que esquina...

em que esquina te escondes
que ruas, que pedras pisas...
em que café te encontras
mergulhado no jornal de ontem...

em que palavras te prendes
que imagens, que paisagens...
em que ruela te abrigas
dos monstros, das criaturas...

em que segredos te detens
que canção, que sensação...
em que janela espreitas
as pessoas, as ruas...

em que beijos...

sábado, 12 de setembro de 2009

sem alces nem trolls...

peço desculpa a quem prometi um post com fotos da família do homem da minha vida, mas a verdade é que eles são muito tímidos e não se deixaram fotografar...
ainda assim, após já uma semana do meu regresso, parece que ainda estou lá. é verdade que está um calor insuportável, e o São Pedro até teve pena de mim e teve uma conversinha com Zeus a fim de me darem uma trovoadazinha... aos dois o meu muito obrigado. sim por que lá para o Monte Olimpo já devem ter disto das internetes, tiveram de se actualizar né?!

aqui em Lisboa parece-me tudo igual... mas no entanto em quinze dias muita coisa mudou... abriu um novo troço da linha vermelha (urraiiiiihhhh), existe mais um autocarro em Benfica (ainda vou investigar a sua futura utilidade para mim) e a minha prima Mara casou-se!!! vim mesmo a tempo de assistir à cerimónia. bonita, simples, e com surpresas... surpreendentemente, algo nesse dia tocou-me. vê-la ali de vestido branco, véu, linda e com um sorriso vibrante, a realizar um dos seu sonhos, um sonho aliás que desde novas partilhava-mos: como seria o nosso vestido, a cor do baton, a música que íamos dançar, a data... sim por que queríamos casar as duas no mesmo dia! tal não aconteceu, até por que para ela esse sonho continuou, e em mim morreu... acho irrelevante o casamento. ou pelo menos achava... se antes era tão rígida no meu pensamento de nunca me casar, hoje acho que sou mais flexível... pois bem, quem não muda estagna, e eu não quero ser um lago de águas paradas. quero ser um rio, que nasce numa montanha verde, corre por entre os vales e planícies, e que desagua num mar qualquer...

leve como a bruma
que se acumula
nos teus cabelos
ágil como a pantera
que espera
no fim da noite
solitária como a lua
cheia sozinha
no céu negro...