sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

carta a antero...

Meu querido Antero, escrevo-te aqui de Lisboa, nesta fria noite de Janeiro, apenas para te recordar. Partiste. Já há muito que partiste. Mas ainda há quem te relembre, te leia, te queira bem. Não me conheces, é facto. Talvez o nosso espírito se tenho cruzado numa qualquer outra existência. Creio que seja essa a razão que me faz sentar aos pés da velha poltrona e, de olhos fechados, te imagine numa conversa prosaica, poética, intimista, cantando a bondade, a ternura, a candura. Hoje li-te. Hoje quis-te. Amanhã também. Quantos mais Anteros serão precisos? Apenas um, creio. Apenas um Antero. O bom Antero. O santo Antero.


...

"Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.

Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! É a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! São canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!" A. de Q.


a Antero de Quental...

2 comentários:

Laura disse...

Gostei tanto desta tua carta... Consigo mesmo imaginar-te ao lado dele, ele com as suas longas barbas, tu a dançares à volta dele e uma espada de luz entre os dois.
Um beijinho,
Laura

Ana Jones disse...

obrigada pela bela imagem que me deste Laura! um beijo*